Perguntas de (e para) mães em mudança

Mãe-empreendedorismo-mudança-atmums

O que leva uma mulher a criar o seu próprio negócio? O que leva uma mulher, e mãe, a seguir um caminho menos tradicional? O que a move?

Empreender. A palavra está na ordem do dia. Fazer acontecer. Avançar por conta própria por um caminho que se adivinha cheio de desafios.

Num país em que se continua a eleger a estabilidade de trabalhar por conta de outrem em detrimento de arriscar a criar um negócio próprio, onde é que os portugueses, e sobretudo as mulheres e mães portuguesas, encontram força para seguir por um caminho menos convencional? Como é que se lida com a pressão e as expectativas da sociedade? Como é que se assume que trabalhar por conta de outrem já não nos preenche? Como é que se admite que queremos percorrer um caminho alternativo, com mais possibilidades de escolha, um caminho mais nosso, que reflita verdadeiramente o que somos?

A verdade é que, muitas vezes, o medo de falhar fala mais alto. A nossa cultura ainda penaliza bastante o insucesso, ao contrário de sociedades como a norte-americana, por exemplo, em que o erro é visto simplesmente como uma oportunidade de melhoria. Este medo assume particular relevo quando o arranque do negócio implica, por exemplo, o investimento de poupanças que, em caso de fracasso, podem até colocar em causa a estabilidade financeira da família. Avançar com cautela, com risco calculado, é preciso, é certo, mas, dizem os entendidos nestas matérias, é necessário relativizar o medo e ir em frente, mesmo assim. Acreditar no nosso projeto e confiar nas nossas aptidões, na nossa criatividade e resiliência são pontos de partida determinantes.

No fundo, o processo inicial do negócio acaba por ser mais do que uma simples busca profissional, e torna-se, afinal, uma busca pessoal. A ideia de conciliar família e carreira é, no caso das mulheres e mães, um fator preponderante. Um estudo de 2006, de Wellington ("Self-Employment: the New Solution for Balancing Family and Career?"), refere que as mulheres casadas, com elevadas responsabilidades familiares, são mais propensas a trabalharem por conta própria. O desejo de realização e independência, a perceção de oportunidades de mercado, as dificuldades em ascender na carreira profissional noutras empresas, a necessidade de sobrevivência e uma forma de conciliar trabalho e família são apontados, em diversos estudos, como os principais motivos que levam as mulheres a empreender.

Mãe-trabalho-flexibilidade-mudança-atmums

O nosso principal motivo já é conhecido: acompanhar de perto os nossos filhos, termos tempo de qualidade para eles, com a possibilidade de gerir a nossa agenda profissional com flexibilidade e em coordenação com as nossas necessidades familiares. Estamos a desenhar o nosso percurso um passo de cada vez, com calma, mas com segurança. E mesmo que ainda estejamos a desbravar terreno, a ir pé ante pé para evitar passos em falso; e mesmo que ainda estejamos a descobrir(-nos) e possamos até fazer um pouco nosso o poema "Cântico Negro" de José Régio, sem estarmos certas por onde vamos ou para onde vamos, temos em nós a certeza de que não vamos por onde os outros (os dos estereótipos, os do “como-deve-ser”) querem que a gente vá.

O estudo Empreendedorismo Feminino – Um Olhar sobre Portugal do IFDEP (2014) deixa alguns conselhos às mulheres que querem empreender. Nós, por cá, já os copiámos para o nosso caderno como uma espécie de guião.

São estes:
1.       Investir em formação especializada de ordem técnica e comportamental;
2.       Identificar o fator inovador/diferenciador da ideia de negócio;
3.       Realizar uma análise profunda e detalhada do mercado;
4.       Reconhecer e avaliar os riscos e os retornos do projeto;
5.       Procurar soluções alternativas de financiamento;
6.       Reunir uma equipa forte do ponto de vista multidisciplinar;
7.       Definir uma estratégia clara de negócio a curto, médio e longo-prazo;
8.       Procurar apoio e inspiração em modelos de sucesso;
9.Follow my blog with Bloglovin
normal;">       Potencializar todos os recursos disponíveis (públicos e privados);
10.   Desenvolver uma rede de contactos sólida.

E desse lado, há mulheres e mães empreendedoras ou com essa vontade de fazer diferente, de fazer melhor, por si e pelos seus? Que sonhos guardam? Quem ou o que vos inspira?


Sílvia


Lá fora: ouvir este podcast e ler este e este livros. 
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6 comentários

  1. Muitos sonhos! Com vontade de crescer e entrar numa área completamente oposta à minha área de formação (que também é a vossa) Apenas vocação e preserverança! Lá chegarei! Infelizmente vivo num país que ainda tem muitos constrangimentos, nomeadamente na aquisição de matérias primas e fazer chegar o que necessito a Luanda é uma luta. Mas desistir nunca!

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    1. Sandra, obrigada pela partilha! Não temos dúvidas que são os nossos sonhos, juntamente com muita determinação, que nos levarão longe. São exemplos como o teu, cheios de talento e persistência, que nos inspiram também!

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  2. Sofia, estivemos juntas no workshop do Fred e da Raquel e fico feliz que tenhas decidido colocar já o teu projeto em curso! Acredito que não é fácil conciliar o emprego tradicional com os outros aspetos todos da nossa vida, sobretudo com filhos, e por isso estas opções não só são válidas como essenciais para termos uma boa cabeça e conseguirmos acompanhar devidamente a nossa família. Um grande beijinho e muita sorte!!

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    1. Joana, muito obrigada pelas tuas palavras! Esperamos que continues por aqui a acompanhar-nos. Beijinhos para ti!

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  3. Depois de ler este post, não posso deixar de dar dois exemplos de duas mulheres "chave" na minha vida, para quem a palavra empreender tem um significado ligeiramente diferente.
    A primeira teve de empreender a partir de uma história familiar, com as circunstâncias da vida a encarregarem-se de lhe mostrar o caminho por que teria, obrigatoriamente, de seguir.
    A segunda está agora a começar a empreender, é uma nova história, a partir do zero, mas que com certeza irá dar frutos e prolongar-se-á no tempo.

    Felicidades para as duas!!!

    Hélder Mancha

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  4. Os exemplos de coragem e resiliência à nossa volta só nos podem dar força para continuar. O incentivo dos que nos são próximos, mais ainda. Obrigada!

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