Alimentar não é mais do que amor

Mais do que nutrir ou saciar, alimentar quem mais gostamos é um ato de verdadeiro amor. Seja a amamentar ou a dar um biberão a um bebé, a preparar as refeições para toda a família no dia-a-dia ou a fazer um jantar especial para os amigos, ao cozinharmos para alguém estamos a fortalecer laços e a manifestar o nosso carinho por essas pessoas. O amor é, aliás, o ingrediente secreto para uma boa cozinha e aquilo que faz com que eternizemos nas nossas memórias cheiros e sabores que vão marcando a nossa vida. Todos nós associamos pessoas e momentos a uma determinada comida. Para mim, o Natal e os almoços de verão em que se junta toda a família têm paladares únicos que vêm das iguarias confecionadas pela minha mãe. Por mais que eu tente replicá-las, nunca consigo o mesmo sabor e não é por falta de jeito na cozinha. Falta-me “apenas” a longa experiência de cozinhar para uma família enorme, apenas com os ingredientes essenciais, sem grande abundância ou extravagâncias, mas com muito, muito amor.

Uma das coisas que faz sorrir o meu coração é quando uma das minhas filhas me diz que o seu prato preferido apenas lhe sabe bem quando é feito em casa, por mim, ou quando me pergunta, repetidamente, se lhe posso ensinar a receita das panquecas que faço habitualmente ao fim-de-semana para depois ela poder fazê-las também aos seus filhos. Sei que estas recordações já não lhe sairão da memória e encaro isso como uma prova de que estou no caminho certo no que toca à criação de boas lembranças à volta da comida.

Mas, alimentar também é uma grande responsabilidade. Desde a seleção dos ingredientes à confeção das refeições, todas as nossas escolhas devem ter em vista o prazer e o bem-estar de quem depende daquilo que oferecemos à mesa. Quem tem filhos pequenos, sabe que é difícil, nos dias de hoje, mantermos os nossos princípios relativamente àquilo que escolhemos comer. A nossa sociedade ainda encara como natural certos hábitos de consumo extremamente prejudiciais à nossa saúde e à saúde das nossas crianças, apesar de haver cada vez mais informação sobre o que faz bem e o que deve ser evitado ou eliminado da nossa alimentação.

Desde que tenho a tarefa de preparar diariamente as lancheiras para mais velha levar para a escola, o desafio de oferecer lanches saudáveis, equilibrados e, ao mesmo tempo, apetecíveis, aumentou. No início, foi difícil explicar-lhe que as bolachas de chocolate, as batatas fritas e as pipocas que ela via nas lancheiras de alguns colegas com frequência não eram boas opções. Mas, pouco tempo depois, quando lhe dava a responsabilidade de escolher o que levar no dia seguinte, acabava por selecionar aquilo que habitualmente comia.

Já o dissemos por aqui: não é mais difícil, nem mais caro alimentarmo-nos de forma saudável. Muitas vezes, basta simplificar e ter a coragem de fazer escolhas. E se envolvermos os nossos filhos neste processo, estaremos a ensiná-los a serem mais conscientes, mais responsáveis mas, sobretudo, estaremos a promover a sua saúde.

E que tal aproveitar também as lancheiras dos pequenos para exprimirmos o nosso amor por eles através de mensagens carinhosas e inspiradoras? É uma outra forma de lhes dizermos que estamos a pensar neles mesmo quando não estamos juntos e, a seu tempo, será certamente mais uma boa recordação que eles associarão aos sabores da sua infância.

(Nesta lancheira: fruta, panquecas - sem açúcar - de banana e sementes de chia, frutos secos e queijo; alternativas mais frequentes: pão com queijo/fiambre/manteiga, iogurte, tostas de aveia, cereais tufados, fruta da época).

Como defendemos que a partilha é excelente para enriquecermos as nossas experiências, contem-nos como é aí em vossas casas! Que sugestões têm para promover uma alimentação saudável sem cair em fundamentalismos? Que truques adotam para conquistar as barrigas dos mais novos evitando doces e fast-food

Sofia

Lá fora: Este blog e este livro da Leonor Cício.


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