Das escolhas - as nossas e as deles


Todos os dias fazemos escolhas. Das mais simples às mais complexas. Desde que acordamos até que nos deitamos, fazemos um sem número de escolhas. Umas são deliberadas e livres, outras são escolhas quase "forçadas" porque, por uma razão ou por outra, podem mesmo ser (ou, pelo menos, parecer) o único caminho.

No meio destas escolhas - que são nossas - acabamos por levar connosco, no nosso percurso, os nossos filhos. Quer queiramos quer não, as nossas opções têm sempre influência sobre eles. E no nosso processo de decisão, acredito que que queremos sempre o melhor para todos e procuramos agir em função daquilo que consideramos mais correto, mais justo, melhor.

Mas, por vezes, aquilo que nós escolhemos difere daquilo que os nossos filhos escolheriam, se pudessem, se já tivessem essa autonomia, esse poder. E é aí que é tudo mais difícil de gerir. Fazermos uma escolha que envolva o nosso filho e que tenha consequências para ele, implica, necessariamente, estarmos preparados para justificar a nossa opção. Quer seja porque não comprámos o brinquedo x que o amigo tem ou porque não deixamos comer doces durante a semana e o amigo come. Quando tomamos decisões pelos nossos filhos (porque, até certa idade, é assim que tem de ser), devemos assumir perante eles, em primeiro lugar, a responsabilidade da nossa escolha, explicando as nossas motivações. Não temos de ser ratinhos na roda ou carneirinhos que seguem o rebanho, mas temos de estar conscientes de que as nossas opções têm repercussões à nossa volta, na nossa vida e em todos os que estão connosco.

Como pais, não podemos, não temos, nem devemos protegê-los de tudo. Podemos sim - e devemos - ajudá-los a lidar com o que sentem quando não podem ter ou fazer tudo que querem. Ensiná-los a lidar com a frustração e educá-los para a resiliência é uma das tarefas mais importantes - e difíceis - que temos enquanto pais.

E, como os pais somos nós, também não podemos esperar que os outros - sejam os avós, a escola ou a comunidade em geral - os "protejam" das nossas escolhas e das nossas decisões. As nossas escolhas têm por base um motivo e é esse motivo - seja ele qual for - que temos de estar preparados para explicar.

Ensiná-los a gerir os sentimentos perante o que os outros têm ou fazem é também ensiná-los a aceitar a diferença. Uns têm mais brinquedos, outros menos; uns correm depressa, outros menos; uns leem muito bem, outros são melhores nas contas ou nos desenhos.

A vida (de mãe e de pai) é assim. E ainda bem, digo eu. Se é fácil? Não, lá isso não é.

Lá fora: O poema "Isto ou Aquilo", de Cecília Meireles, pelos Clã.
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