Sugestões para ler e refletir | Lá de fora cá para dentro #1

Ler faz parte dos nossos dias. Ler para nós. Ler para os nossos. Ler por trabalho. Ler por prazer. Então, se ler faz parte de nós, nada faria mais sentido do que trazer algumas das nossas leituras até vós. Aquelas que acreditamos que vos possam interessar. E para os que pensam que não têm tempo para ler, deixamos um resumo para vos aguçar a curiosidade. Ora vejam o que trazemos esta semana:
1 - "Especialista alerta: quando estão sobre-estimuladas, as crianças perdem o interesse em aprender" - entrevista com Catherine L'Ecuyer, Catarina Fonseca

A entrevista da Revista Activa à investigadora Catherine L'Ecuyer, autora do livro Educar na Curiosidade, dá-nos a conhecer a sua perspetiva acerca da sobre-estimulação a que estamos a submeter as nossas crianças e as suas potenciais consequências. Este trabalho é já de 2017, mas o tema continua muitíssimo atual.

A autora, Canadiana residente em Barcelona, mãe de 4 filhos, dá palestras por todo o mundo e no seu site é possível encontrarmos muitos textos e vídeos sobre esta temática (este vídeo, por exemplo, é especialmente acutilante e inspirador).
Nesta entrevista, Catherine refere que "queremos que as crianças aprendam muitas coisas antes do tempo" e que a brincadeira deve ser encarada como isso mesmo, sem ser transformada em aprendizagem formal, para que a criança possa descobrir o mundo. A entrevistada chama a atenção para o facto de a curiosidade ser inata nas crianças, elas têm em si o prazer da descoberta e, se as forçarmos à aprendizagem, o estímulo deixa de ser interno e perde força, porque lhes foi imposto.
A investigadora destaca ainda os "neuro-mitos", como pensarmos que quanto mais estímulos tiver, mais esperta a criança vai ser, e dá o exemplo dos Legos ou de uma bicicleta como "brinquedos que precisem de ser brincados" e "quantos menos botões e pilhas, melhor".
Na sua opinião, uma criança sobre-estimulada é uma criança que se vai aborrecer com facilidade quando estiver num ambiente mais calmo, sem todos esses estímulos. Por isso, defende que devemos promover o encantamento natural que todas as crianças têm quando nascem, a capacidade de se deslumbrarem com as pequenas coisas, de "ver tudo como se fosse a primeira vez", não dando nada como garantido e supreendendo-se e experimentando, usando os sentidos, tocando, cheirando, ouvindo, olhando, tendo contacto com o dia a dia, sem necessidade de ecrãs, luzes, filmes ou programas elaborados. E que, nós, adultos, só teremos a aprender com isso também.
Vale a pena ler a entrevista na totalidade. 

2 - "How to raise 'farm to table' kids, even if you don't live on (or near) a farm", Sarah Bradley

Na impossibilidade de todos termos uma quinta onde cultivemos os nossos próprios alimentos, existem estratégias para explicar às nossas crianças o que é que elas têm no prato, bem como a origem e o trajeto daquilo que comem, desde a sua produção até chegar à mesa. No artigo "How to raise 'farm to table' kids, even if you don't live on (or near) a farm", de Sarah Bradley, defende-se que promover o relacionamento das crianças com a comida e a sua produção faz com que elas se envolvam mais com a sua própria saúde e com que desenvolvam bons hábitos alimentares, reduzindo, consequentemente, a probabilidade de virem a sofrer de algumas doenças no futuro.

Sarah Bradley apresenta-nos algumas formas simples para ensinar aos mais pequenos a origem dos alimentos:
  • Levar as crianças para a cozinha e envolvê-las na preparação das refeições (para além de tocarem e provarem a comida também os leva a colocarem questões sobre os ingredientes);
  • Começar por uma semente (semear algo num vaso que se coloca no parapeito de uma janela e se espera o seu crescimento é uma excelente oportunidade de aprendizagem);
  • Praticar "food mapping" (assinalar num mapa os trajetos dos alimentos que se compram, desde o local onde são produzidos até chegarem a nossa casa);
  • Sujar as mãos (seja numa quinta ou numa mini-horta improvisada na varanda)
  • Comunicar com a escola (incentivar a adesão a iniciativas relacionadas com este tema ou, até mesmo, à criação de espaços de cultivo);
  • Envolver-se com os recursos locais (quer se viva numa comunidade rural ou numa comunidade urbana).

Encontram o artigo aqui.


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