Letras Não São Tretas: Sugestões de leitura para Graúdos #2 | Como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem


No rescaldo do workshop da Academia 108 em que participámos no sábado, trazemo-vos um livro que foi indicado como uma das referências no que diz respeito à comunicação entre pais e filhos.

Como Falar para as Crianças Ouvirem e Ouvir para as Crianças Falarem, de Adele Faber & Elaine Mazlish, já andou cá por casa, na sequência de uma sugestão que, em tempos, encontrámos algures. 

Como o livro veio da biblioteca, fizemos aquilo que fazemos sempre que o tema nos interessa e tirámos muitas notas.

Este é um livro extremamente prático, cheio de exemplos do dia a dia com que é muito fácil identificarmo-nos. Além disso, tem ilustrações, em jeito de banda desenhada, que tornam a leitura ainda mais dinâmica.

Pois bem, com o reavivar dos conteúdos tratados no workshop, recuperámos as notas e queremos partilhar algumas delas - as que nos parecem as mais relevantes - convosco.

Ajudar as crianças a lidarem com o que sentem:

  • Ouvir com atenção - praticar escuta ativa, olhar para eles quando falam, pararmos o que estamos a fazer, largar o telemóvel e ouvir;
  • Mostrar que compreendemos o que estão a sentir, mostrar empatia - isto não significa concordar com a criança;
  • Atribuir um nome àquilo que eles estão a sentir - tristeza, frustração, fúria, alegria, entusiasmo... Para saberem mais sobre as emoções, aconselhamos o Emocionário;
  • Conceder-lhes o seu desejo em fantasia, em caso de necessidade ("Quem me dera poder...")
  • Evitar bombardear com questões e pressionar para obter explicações; há mais utilidade num comentário como "Há qualquer coisa que te está a deixar triste." do que interrogar;
  • Evitar dar conselhos; não temos de resolver todos os problemas dos nossos filhos com uma solução imediata;

Estabelecer cooperação (criar um clima que promova a colaboração, com uma linguagem respeitosa, que nutra a autoestima da criança):

  • Descrever a situação/problema
  • Informar acerca da situação/problema
  • Usar palavras únicas
  • Descrever o que nós sentimos perante determinada situação/ problema
  • Usar o bom humor


Castigo ou Consequência?

O ideal é prevenir situações que podem causar momentos de tensão, antecipando-as e agir em vez de reagir.  As autoras falam ainda na importância de encorajar a responsabilidade da criança.


Alternativas ao castigo:
  • Indicar como pode ser útil
  • Exprimir o que sente perante determinado situação/comportamento
  • Expor as suas expectativas
  • Mostrar à criança formas de compensar o comportamento
  • Dar escolha à criança
  • Permitir que a criança sofra as consequências do seu mau comportamento
  • Permitir que a criança seja parte ativa na resolução do conflito; estar disponível para ouvir a criança e as suas sugestões

Incentivar a Autonomia:

  • Deixar a criança fazer escolhas (desde pequenos: "queres vestir a camisola branca ou a amarela?", "queres comer primeiro as ervilhas ou o arroz?")
  • Mostrar respeito pelo esforço da criança
  • Não fazer muitas perguntas
  • Não ter pressa de responder às perguntas da criança
  • Incentivar a criança a usar fontes de informação externas à família próxima
  • Deixar a criança explorar e experimentar; não os proteger sempre da desilusão

Abrir espaço para o SIM:

Quantas vezes, mesmo antes de ouvirmos a pergunta até ao fim, estamos prontas a dizer um redondo "Não"? Neste livro, sugere-se que os pais digam mais vezes "Sim". 

Como?

Vejam este exemplo:
Criança: "Quero um gelado."
Mãe/Pai: "Ai, é? Então, está combinado: no sábado, depois de comeres tudo ao almoço, comes um gelado."
adele-faber-elaine-mazlish

O lado "perigoso" dos elogios:

Segundo as autoras e outros especialistas na área, os elogios que emitem um juízo de valor podem fazer com que a criança fique dependente da avaliação de terceiros e só se valorize quando (e se) os outros a valorizarem.

O que podemos fazer em vez de avaliar?
  • Descrever o que vemos - o quarto arrumado, a cama feita, os brinquedos organizados, a mochila pronta...
  • Descrever o que sentimos
  • Resumir o comportamento numa palavra associada a esse comportamento

Os "rótulos" e o poder das palavras:

É muito fácil cairmos no erro de nos referirmos aos nossos filhos como "pestes", "cabeças no ar", "mandões", "teimosos". Ao ouvirem determinada expressão repetir-se, por vezes, por mais do que uma pessoa, acabam por interiorizar aquela personalidade e acreditar que são efetivamente assim, assumindo que é assim que têm de se comportar. 

Sugestões para libertar a criança de desempenhar papeis:

  • Procurar oportunidades para mostrar à criança uma nova imagem dela própria
  • Colocar a criança em situações onde ela se possa ver de forma diferente
  • Deixar a criança ouvir-nos dizer coisas positivas sobre ela

Respeito como palavra-chave:

O método de comunicação apresentado no livro baseia-se no respeito e na procura de soluções, deixando de lado culpas e sermões inúteis. Na opinião das autoras, e nós concordamos, este é o legado que devemos querer deixar aos nossos filhos: ferramentas que, ao longo da vida, os ajudem a ser pessoas que se respeitam a si próprios e aos outros.


Já conheciam esta sugestão? 







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