Letras Não São Tretas | Sugestões de Leitura para a Pequenada #8


Estamos cada vez mais fãs da biblioteca. Os miúdos adoram ir lá e muitas das vezes são eles próprios que pedem. Aproveitámos, sobretudo, alguns fins de semana frios e chuvosos. Saímos de casa, mudamos de ambiente, enchemos os sacos de livros e a cabeça de histórias e mantemo-nos secos, quentinhos e confortáveis.

A grande fábrica de palavras, da autoria de Agnès de Lestrade e ilustrações de Valeria Docampo, veio numa destas visitas. Foi escolhido por mim e, confesso, à revelia do meu filho mais velho que não se encantou à primeira vista. Contudo, temos um compromisso: ele escolhe 3 livros e eu dois.

Os dias foram passando e A grande fábrica de palavras mantinha-se na mesa de cabeceira, sem ser selecionado para o momento de leitura antes de dormir. Mas certa noite, depois de jantar, a mana mais nova quis ler uma história na cama da mãe. Não perdi a oportunidade e fui a correr buscar A grande fábrica de palavras. Posso-vos dizer que, à medida que a história ia avançando, o olhar de espanto e de curiosidade sobre o que iria acontecer a seguir disseram tudo. E o livro passou a ser o escolhido nos dias seguintes, até o termos devolvido à biblioteca.

A história passa-se num país onde as pessoas quase não falam. Nesse país, há uma grande fábrica de palavras e quem quiser falar tem de comprar as palavras. Mas as palavras mais bonitas são caras. E nem todos têm dinheiro para elas.

Por vezes, há palavras que são levadas pelo vento.

O Filipe, personagem encantadora desta história, apanhou algumas palavras dessas que andavam soltas ao vento. E guardou-as para uma ocasião especial: o dia do aniversário da Sara.

Mas nesta história há também um "vilão" que, por ser rico, consegue habitualmente as coisas que quer com facilidade. E o mesmo se passa com as palavras de que precisa para falar.


Cá em casa, adorámos esta história e as ilustrações que a acompanham. Ficámos presos às palavras e às imagens e aprendemos coisas novas. Palavras novas - umas mais bonitas do que outras. Ou será que as palavras, em si, não interessam assim tanto, mas o verdadeiramente importante é a forma como as dizemos e os sentimentos que transmitimos ao dizê-las?

Por aqui, aprendemos que as palavras mais simples - e apanhadas no vento com uma rede de borboletas - podem ser ainda mais especiais do que as palavras mais caras de qualquer dicionário ou fábrica de palavras.

Leiam A grande fábrica de palavras e depois venham cá dizer-nos se concordam ou não connosco.


Lá fora: Podem comprar o livro aqui.


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